Banheiros químicos terão equipamento especial para coleta de fósforo presente na urina e reaproveitamento para a agricultura. Projeto é uma parceria da Belotur com a UFMG.

 

Uma das principais facilidades oferecidas pela Prefeitura de Belo Horizonte aos foliões de rua do Carnaval de Belo Horizonte ganhará uma novidade criativa e sustentável em 2018. Uma parceria entre a Belotur e a UFMG, intermediada pela ACMinas, vai transformar parte da urina coletada pelos banheiros químicos em adubo. É isso mesmo, trata-se de uma ação piloto do P4Tree, projeto do Departamento de Química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que desenvolveu uma tecnologia capaz separar o fósforo presente na urina e reaproveita-lo na agricultura.

Durante a festa, seis banheiros químicos terão recipientes próprios para esse processo de ´filtragem`. “A ação piloto busca dar espaço e promover projetos inovadores e sustentáveis produzidos no campo do conhecimento cientifico, demonstrando a importância destas instituições acadêmicas no desenvolvimento econômico da capital mineira”, destaca o diretor de Planejamento e Inovação da Belotur, Marcos Boffa.

As cabines serão instaladas em pontos estratégicos da cidade (quatro delas volantes e duas fixas, próximos ao palco da Av. Brasil). As cabines volantes estarão disponíveis na Praça da Liberdade no dia 10; no dia 11, no desfile do bloco da Esquina, no Bairro Santa Tereza; no dia 12, na passagem do bloco Filhos de Tchá Tchá, no Barreiro, e no dia 13 durante o desfile do bloco do Peixoto, no Santa Efigênia.

A importância do fósforo

“O fósforo é um dos elementos químicos essenciais para o crescimento de plantas e tem papel fundamental na agricultura e em diferentes culturas. Também tem ampla utilização na indústria alimentícia como conservante”, explica Arthur Silva, químico responsável pelo projeto e doutorando em inovação tecnológica.

Ele ressalta que boa parte do fósforo não obtido através da mineração está presente em efluentes sanitários, devido principalmente à presença da urina humana. “Esgotos e estações de tratamento são verdadeiros depósitos desse tipo de elemento”, comenta Silva.

De acordo com o químico, o material pode ser inserido em um recipiente próprio para utilização em banheiros e mictórios, também desenvolvidos na UFMG. Ambos têm patentes em processo de licenciamento pela empresa Brandt Meio Ambiente.

Durante o carnaval, os banheiros que conterão o dispositivo serão plotados com uma identidade visual própria e contarão com dois profissionais de apoio para explicar o projeto.

Como funciona o P4Tree

A tecnologia conta com refis de coletores instalados nos banheiros químicos. Ao receber a urina, o coletor filtra e separa o fósforo do restante dos elementos. Segundo os especialistas, o material é capaz de suportar alguns dias de utilização sem necessidade de reposição.

Ao fim da folia, as amostras seguirão para o laboratório de Química da UFMG, onde passarão por um processo de desinfecção. “Importante ressaltar que a urina é descartada no próprio banheiro, o que fica no refil é apenas o fósforo”, enfatiza o pesquisador. Após desinfetado, o material é combinado a outros elementos para que possa ser utilizado em áreas verdes. Em Belo Horizonte, o material será destinado ao adubo do Jardim Botânico.

Um primeiro teste do P4Tree já foi realizado em banheiros do Departamento de Química da UFMG. A ação durante o Carnaval de Belo Horizonte será um segundo teste e o primeiro com cabines químicas.

Curiosidades:

• Um banheiro químico = 220 litros de dejetos
• 150 litros de dejetos líquidos. Pode chegar a 100 gramas de fósforo por banheiro
• 300 miligramas por litro é a quantidade de fósforo por litro de urina humana
•Desperdiçamos hoje 650 quilos por dia de fósforo nos banheiros, só em Belo Horizonte
•Se a urina não tiver contato nenhum com as fezes, ela pode ser utilizada como fertilizante por conter água misturada a fósforo e nitrogênio, além de outros nutrientes que podem ser absorvidos rápida e facilmente pelas plantas.

Equipe de desenvolvimento da UFMG

Sob a coordenação do pesquisador em Química, Rochel Lago, e responsabilidade do químico Arthur Silva, participam também do projeto Jéssica Carvalho (projetos educacionais), Raphael Capruni (Mestrando em Química /protótipos e projetos), além do professor e doutorando em Química, Fernando Augusto, e a graduanda em Química, Marina Guedes.

Ottavio Carmignano, doutorando em Inovação Tecnológica, também participa da equipe do projeto, fornecendo a matéria prima necessária.

Carnaval de Belo Horizonte 2018

Nos últimos anos o Carnaval de Belo Horizonte se consolidou como um dos maiores do Brasil. De acordo com as estimativas divulgadas pelo Ministério do Turismo, a cidade é um dos destinos mais procurados, ao lado de Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife e Olinda. Juntas, elas devem ser responsáveis por 65% de toda a movimentação financeira no país durante o período de folia.

O Carnaval de Belo Horizonte, que acontece oficialmente do dia 27 de janeiro a 18 de fevereiro, se tornou um dos mais surpreendentes do país. Para este ano, a expectativa é de 3,6 milhões de foliões, 20% a mais que em 2017. Serão cerca de 480 blocos de rua com 550 desfiles.

Entre as novidades estão os nove palcos oficiais distribuídos entre as regionais, descentralizando ainda mais a programação na cidade. Além disso, melhorias estruturais acontecerão na Avenida Afonso Pena para o desfile das escolas de samba e blocos caricatos. Pela primeira vez na história da cidade, a avenida será pintada de branco para valorizar as fantasias e adereços, assim como acontece nos sambódromos. No local será instalado ainda um cronômetro para contar o tempo dos desfiles.

O Carnaval de Belo Horizonte 2018 tem o patrocínio da Skol, parceira há cinco anos da folia na capital, e da Uber, nova incentivadora da festa na cidade.

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