Número elevado de desocupações e diminuição da renda em circulação vem comprometendo o consumo.

 

A alta taxa de desemprego vem impactando negativamente o desempenho do comércio varejista de BH. De acordo com levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), de janeiro a março deste ano, as vendas apresentaram decréscimo de 1,29% em relação ao mesmo período de 2016. Segundo o presidente da CDL/BH, Bruno Falci, com o alto índice de desemprego, menos pessoas dispõem de renda para consumir, pois seus orçamentos já estão comprometidos com os custos básicos. “Em função disso, a maioria prefere adiar as compras consideradas menos prioritárias, para evitar dívidas que futuramente não possam quitar”, explica.
Ainda de acordo com a pesquisa, no mesmo período (Jan.17-Mar.17/Jan.16-Mar.16), três setores apresentaram aumento nas vendas: drogarias e cosméticos (+1,53%), supermercados (+1,12%) e vestuário e calçados (+0,87%). Os demais tiveram queda: papelarias e livrarias (-3,74%), artigos diversos como itens de decoração e fotografia (-2,68%), móveis e eletrodomésticos (-1,81%), veículos e peças (-1,76%) e material elétrico e de construção (-0,40%).
Na análise anual, desemprego também afeta as vendas
Na comparação com o mesmo mês de 2016 (Mar.17/Mar.16), o desempenho do comércio registrou queda de 0,12%. Falci ressalta que o resultado, mais uma vez, é reflexo do aumento do desemprego. “Apesar da melhora no cenário econômico em função da desaceleração da inflação e da queda nos juros, a renda está menor por causa do desemprego”.
Os setores que tiveram crescimento nesse período foram: material elétrico e construção (+0,88%), supermercados (+0,59%), vestuário e calçados (+0,57%) e drogarias e cosméticos (+0,33%). Em queda aparecem: artigos diversos (-0,74%), papelaria e livrarias (-0,72%), móveis e eletrodomésticos (-0,28%) e veículos e peças (-0,26%).
Já na base de comparação mensal (Mar.17/Fev.17), o índice real de vendas apresentou leve crescimento de 0,05%. No entanto, segundo o presidente da CDL/BH, o resultado é efeito calendário, “já que março teve mais dias úteis (23) do que fevereiro (18)”.
Os setores que tiveram resultados positivos nesse período foram os de supermercados (+2,21%), vestuário e calçados (+0,80%), material elétrico e de construção (+0,67%) e drogarias e cosméticos (+0,50%). Em queda aparecem papelaria e livrarias (-1,74%), veículos e peças (-0,61%), móveis e eletrodomésticos (-0,14%) e artigos diversos (-0,04%). Tais resultados refletem uma tendência também observada na comparação anual e trimestral.
Instabilidade econômica em 2016 impactou nos resultados deste ano
Nos últimos doze meses (Abr.16-Mar.17/Abr.15-Mar.16), o varejo acumulou queda de 1,38%. De acordo com Bruno Falci, esse resultado é fruto do cenário econômico adverso enfrentado durante todo o ano de 2016, com os juros altos, taxa de desemprego elevada e inflação alta. “No entanto, a economia interna começa a dar sinais de melhora com os indicadores macroeconômicos, como PIB apontando crescimento (0,5% em 2017 e previsão de 2,5% em 2018), retomada da confiança dos agentes econômicos e desaceleração da inflação. Esses fatores possibilitaram uma redução dos juros, o que atrai o investimento produtivo, que pode gerar emprego e renda e, consequentemente, aquecer o consumo”, afirma.

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