Na coluna de Flávio Melo desta semana, leia: “Ansiedade e a sexualidade masculina”.

 

Em outro artigo vimos que a insegurança e o medo atrapalham na constituição da relação amorosa, hoje vamos ver como interfere na relação sexual.

A queixa que aparece no consultório é de ansiedade: e na perspectiva dos homens, reclamam de ejaculação precoce ou impotência. Não há dúvida que vivem ansiedade: na descrição aparece nervosismo, taquicardia, respiração ofegante, tensão muscular, as vezes suor frio e vontade que toda a situação acabe logo para cessar o sofrimento. Mas a origem do problema não é a ansiedade, esta já é uma consequência. Então qual é a causa?

Descrevendo a situação e identificando os respectivos significados a origem aparece e o que realmente deve ser tratado fica explícito. A base do problema é o medo de não conseguir ter uma ereção, de que não vai agradar, que os outros são melhores. Vivem um medo tão grande que os pensamentos negativos já povoam as antecipações de como vai ser a relação, e o fracasso já aparece no horizonte, como um destino já traçado. O medo provoca contração muscular que atrapalha o fluxo sanguíneo no pênis impedindo ou prejudicando uma ereção plena. Mas esse medo não vem sozinho, junto está o desejo de ser eficiente e conseguir satisfazer a parceira, e essa contradição não pode conviver harmonicamente. O medo ganha a batalha, mas a pessoa não se aceita derrotada, aí surge a ansiedade com todos seus sintomas, e o indivíduo passa tão mal, um sofrimento psicológico tão grande que então a justificativa a si e a parceira já está pronta: infelizmente não consegui por que sofro de ansiedade.

O problema é que não adianta tratar a ansiedade, visto que ela é consequência do medo de fracassar ou mesmo originada da insegurança da pessoa não acreditar em si, não só na sexualidade, mas nos mais variados aspectos da sua vida. É isso que precisa ser trabalhado: porque num primeiro momento o medo é nosso amigo, ele indica que temos que tomar cuidado, mas nesse caso ele ultrapassou essa dimensão para alcançar uma proporção que impede da pessoa viver plenamente sua sexualidade. Então é fundamental identificar quais valores a pessoa formou que o impossibilita de ganhar essa batalha. E mesmo o que aconteceu na sua vida, desde pequeno para que constituiu-se uma personalidade frágil e que se permita fracassar? Esses pontos precisam ser compreendidos para limpar o caminho da construção de uma personalidade segura. A notícia boa é que esse problema pode ser tratado através da psicoterapia. E com a mulher? A ansiedade também atrapalha a vivência plena da sexualidade? Esse será o tema do nosso próximo artigo.

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