Especialistas e representantes das secretarias alinharam estratégias e atuação do Governo Estadual na gestão das águas.

 

O Governo de Minas Gerais terá papel preponderante no 8° Fórum Mundial da Água (FMA), que será realizado em Brasília, entre 18 e 23 de março de 2018. Para ilustrar, o Brasil tem a maior reserva de água doce do mundo e Minas Gerais tem posição de destaque neste cenário.

A secretária de Estado adjunta de Casa Civil e de Relações Institucionais (Seccri), Mariah Brochado, coordenou no último dia 15 de setembro a primeira reunião com a equipe de trabalho responsável pela participação de Minas Gerais no evento.

A equipe, formada por pesquisadores e representantes das secretarias e instituições do Estado, teve a oportunidade de propor ideias ao projeto e levantar estratégias sobre a participação mineira no evento.

A participação mineira no projeto de levantar ideias para o evento em Brasília está a cargo do Núcleo de Relações Internacionais (NRI), vinculado ao gabinete da Secretaria de Estado de Casa Civil e de Relações Institucionais (Seccri).

“Nesse primeiro momento buscamos envidar esforços significativos e levantar questões sobre as dinâmicas e o formato que será utilizado no Fórum para representar o estado. O objetivo é construir um documento contendo o máximo de expressão e concretude”, afirmou Mariah Brochado.

O Fórum Mundial da Água é um espaço aberto a todos os setores da sociedade e tem o intuito de promover discussões a respeito da importância e das responsabilidades alusivas à água no mundo.

Realizado a cada três anos, o evento conta com a participação de especialistas renomados e de gestores e organizações envolvidos com a temática da água no planeta.

Devido à sua abrangência política, técnica e institucional, o FMA tem como característica principal a participação aberta e democrática de diferentes atores, traduzindo-se em um acontecimento de grande relevância na agenda política internacional.

A diretora-geral do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), Maria de Fátima Chagas Dias Coelho, assumiu o compromisso de fornecer apoio técnico e subsídios para que o estado consiga levar ao FMA o trabalho do instituto junto aos recursos hídricos de Minas Gerais. Ela enfatiza a importância do aprofundamento das discussões e a presença da pauta sobre a água na agenda política.

“O tema da água é transversal para as diversas secretarias do Estado. Por isso precisamos ter uma participação muito estratégica e política, para que assim possamos apresentar as articulações que buscamos no âmbito de gestão das águas e a questão de compartilhamento, que é a principal diretriz do Fórum Mundial das Águas”, ressalta a diretora do Igam.

O Fórum, segundo o assessor de institucionalização de Agendas Globais do NRI, Hugo Salomão França, será um espaço para construir parcerias e expor casos de notoriedade sobre a sustentabilidade no estado para todo o mundo.

“A iniciativa de assumir a elaboração do projeto surgiu a partir da perspectiva de atuação no FMA, sugerida pela dra. Maria de Fátima. Ainda no ano passado, a diretora-geral do Igam procurou a Seccri para dizer da necessidade da participação do Estado nessa agenda, primeiro por se tratar de oportunidade única e, segundo, pela importância e posicionamento estratégico ocupado por Minas Gerais no país. O objetivo é que Minas seja reconhecida internacionalmente pela sua gestão sustentável dos recursos hídricos”, explica Hugo França.

O evento

O Fórum é um evento organizado pelo Conselho Mundial da Água (World Water Council, o WWC) em parceria com os países-sede. Já são 20 anos de história do FMA, que começou em Marrakesh em 1997. As sete versões anteriores foram realizados no Marrocos, Holanda, Japão, México, Turquia, França e Coreia do Sul.

Nas primeiras versões, em Marrakesh (Marrocos) e em Haia (Holanda), o Fórum trabalhou com a “Visão Mundial da Água”, proporcionando um exercício pioneiro sobre o futuro dos recursos hídricos em cada canto do planeta. A água finalmente foi reconhecida como uma prioridade mundial.

Durante a “Cúpula da Terra Rio 2012 + 20”, ocorrida  em 2012 no Brasil, o chamado “Diálogo de Desenvolvimento Sustentável” foi dedicado à água. Nesse ano, foi realizado em Marselha (França) o 7º Fórum Mundial da Água, tendo como tema “Tempo de Soluções”.  Este evento foi determinante para que o país fosse a sede da 8ª edição do FMA.

Segundo o Sistema de Autoavaliação da Eficiência Hídrica (Saveh), menos de 3% da água do planeta é doce, das quais 2,5% estão presos em geleiras; do meio ponto percentual de água restante no mundo, a maior parte está presa em aquíferos subterrâneos, o que dificulta o acesso humano; somente 0,04% da água do planeta está disponível na superfície, em rios, lagos e mangues.

No Brasil, a organização do Fórum Mundial das Águas conta com a participação da Agência Nacional de Águas (ANA), da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) e da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib). A proposta é que o evento possa ser um espaço para trocar experiências, analisar problemas e buscar soluções para o uso consciente da água.

Nesse sentido, por meio do apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), será possível articular sobre os avanços de Minas Gerais no setor da ciência, tecnologia e inovação, tanto na preservação e manutenção da água quanto na prevenção de desastres ambientais.

O professor Francisco Barbosa, representante da Fapemig, salienta a importância da participação da fundação na elaboração do projeto, já que ela viabilizará a articulação com todo meio cientifico.

“A Fapemig já realizou duas reuniões no mês de agosto com o objetivo de definir qual seria o conteúdo que vamos oferecer para o projeto. Já foi consolidado que trabalharemos com um portfólio, reunindo as melhores práticas e estratégicas, no sentido de que há uma visão positiva com relação à água e à mineração.”, informa o professor.

A partir de agora a equipe se reunirá para aprofundar informações e construir as estratégias de apresentação dos programas em atividade no estado para a preservação e consumo consciente dos recursos hídricos.

A secretária-adjunta Mariah Brochado destaca a contribuição do Núcleo Multifacetado de Acadêmicos em prol do Estado Mineiro (Numem), protocolo de cooperação técnica entre a Seccri, Universidade Federal do Estado de Minas Gerais (UFMG) e a Fapemig, ao anunciar a realização do projeto “Minas em Diálogo” com a presença de pesquisadores da área, gestores públicos e a sociedade em um debate sobre a temática água.

Ação do Governo

Em agosto, o Governo do Estado de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Cidades e de Integração Regional (Secir), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, retomou as ações do “Programa Água Doce” (PAD) em Minas Gerais.

O Programa, executado pelo Igam, Copasa e Secir, tem como meta a instalação de dessalinizadores – método de purificação da água –  em 69  localidades rurais, atendendo a uma população de aproximadamente 28  mil pessoas.

Por meio de uma política permanente de acesso à água de qualidade para consumo humano, o PAD pretende utilizar a tecnologia para aproveitar, de maneira sustentável, a água subterrânea disponível no semiárido mineiro.

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