• atualizado em 10/10/2017 às 13:12  

Fórmula perfeita

Álbum sela o jejum de 15 anos sem lançar um trabalho; Trio formado
por Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos
Brown acertaram na fórmula mais uma vez

 

*Coluna Crítica Musical
*Jornalista e Editor
*Felipe José de Jesus
*💿Avaliação do álbum: Quatro estrelas
*💿Avaliação máxima: Cinco estrelas
*Siga o Instagram👉: @felipe_jesusjornalista_

 

 

“Já sei namorar, já sei beijar de língua agora só me falta sonhar”. Com a letra de “Já Sei Namorar”, canção que ficou estourada nas rádios no ano de 2002, os Tribalistas, trio formado pelos cantores, compositores e amigos Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown alcançaram de vez o status de grandes nomes da MPB. E não era para menos, o disco que traz essa música e outras baladas como Velha Infância, vendeu mais de 2,1 milhão de cópias no Brasil e no exterior.

Para a alegria dos fãs, o grupo voltou ao cenário musical com o segundo disco “Tribalistas (2017)” com a mesma força e intensidade de sempre. Se no primeiro disco eles traziam letras para jovens apaixonados, neste segundo álbum eles reforçam o amor de noivos à beira do altar. Produzido por Marisa Monte; Co-Produzido por Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Alê Siqueira e Daniel Carvalho, o novo disco dos Trabalistas traz 10 faixas sendo todas compostas pelo trio: Marisa, Arnaldo e Brown com a colaboração de Carminho, Pedro Baby,  Brás Antunes e Pedrinho da Serrinha. Como da primeira vez que eles apareceram na TV com o projeto, no segundo CD e DVD não foi diferente.

A TV Globo transmitiu após a novela das 21h o “Especial Tribalistas” ao qual eles mostraram os bastidores das gravações e também a parte da pré-produção do disco.  Não conseguiram alcançar a audiência esperada, mas mesmo assim, reforçaram o profissionalismo nas novas canções. Aliás, todas muito bem elogiadas pela crítica, como por exemplo, pelo ‘mestre’ Nelson Motta (Produtor / Crítico Musical e Jornalista Cultural), que fez questão de falar do disco. Após comprar e escutar o novo álbum pelo menos umas seis vezes eu destaco e indico as faixas: Diáspora, Fora da Memória, Aliança, Um Só e Ânima que traz além de uma bela harmonia, um violão magnífico. Não escutei no disco uma letra de cunho político, mas sim, canções que remetem ao cotidiano, como por exemplo, Trabalivre (Arnaldo / Brow / Marisa Monte e Carminho): “Segunda feira eu já tô lá de novo atolado de trabalho para entregar. Na terça não tem brincadeira, quarta feira tem serviço para terminar. Na quinta já tem hora extra e na sexta o expediente termina no bar”.

Capa do novo disco dos Tribalistas – 2017 (Artista / Crédito: Luiz Zerbini)

Participação e design

Como todo “bom trabalho”, o grupo trouxe a cantora e compositora portuguesa Carminho que divide os vocais na faixa “Os Peixinhos” (voz e letra),  última música do álbum. Neste caso,  não vi muita relevância em a cantora dividir os vocais com o grupo, até porque, a voz “inconfundível e forte” de Marisa Monte quase apaga o som sereno da voz de Carminho. Deu certo, ficou bonita, mas talvez a faixa não tenha sido a melhor escolhida para tal parceria. Tirando isso, os Tribalistas conseguiram fazer um trabalho memorável para os fãs que aguardavam ansiosos pelo novo álbum. Não impactou como o primeiro disco lançado em 2002, mas eles deixaram pelo menos para mim uma impressão clara: “Estamos aqui ok? Juntos, compondo como nunca deixamos de compor!”.

Quanto ao quesito design, o álbum remete ao disco duplo “Barulhinho Bom” de Marisa Monte lançado em 1995. Na parte interna do novo disco dos Tribalistas, o encarte é todo desenhado em preto e branco, já a capa, nada demais, apenas os três também desenhados, como um trabalho rústico feito a duas mãos. Seguindo a tendência dos discos físicos que estão sendo vendidos em lojas, esse também é de papelão (moda instituída pelo Pearl Jam no fim dos anos de 1990) que influenciou a indústria fonográfica.

Avaliação do disco

Em meio as duas tendências musicais estipuladas pela mídia como o sertanejo e o funk,  é bom ver que a MPB respira livremente e com muita qualidade. Avalio o disco com quatro estrelas porque o trio já seria o bastante nesse trabalho e trazer um quarto vocal em minha opinião, não foi uma bela escolha do grupo. Gosto da Carminho, mas acredito que faltou mais sintonia entre eles na canção Os Peixinhos. No mais, as letras estão belas e o disco um trabalho primoroso e que vale a pena adquirir. Alguns “não muito fãs dos Tribalistas” torceram o nariz para o novo disco nas Redes Sociais,  mas acredito que quem curte o trio, entendeu que a ideia era mostrar que o romantismo é o melhor remédio para tempos complicados. Se você ainda não escutou o disco, ele já está disponível nas plataformas digitais e também nas lojas no formato físico. Escute e me diga o que você achou desse novo trabalho dos Tribalistas. Até a próxima coluna Crítica Musical.

Abaixo as faixas do disco. Confiram o CD completo pelo
Canal do Youtube – Tribalistas (2017):

 

  1. Diáspora
  2. Um Só
  3. Fora da Memória
  4. Aliança
  5. Trabalivre
  6. Baião do Mundo
  7. Ãnima
  8. Feliz e Saudável
  9. Lutar e Vencer
  10. Os Peixinhos

 

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